Resenha #126: Ligeiramente Perigosos

Título: Ligeiramente Perigosos
AutorMary Balogh
Editora: Arqueiro
Nº de Páginas: 304


Aos 35 anos, Wulfric Bedwyn, o recluso e frio duque de Bewcastle, está ávido por encontrar uma nova amante. Quando chega a Londres, os boatos que correm são os de que ele é tão reservado que nem a maior beldade seria capaz de capturar sua atenção.
Durante o evento social mais badalado da temporada, uma dama desperta seu interesse: a única que não tinha essa intenção. Christine é impulsiva, independente e altiva – uma mulher totalmente inadequada para se tornar a companheira de um duque. Ao mesmo tempo, é linda e muito, muito atraente.
Mas ela rejeita os galanteios de todos os pretendentes, pois ainda sofre para superar as circunstâncias pavorosas da perda do marido. No entanto, quando o lobo solitário do clã Bedwyn jura seduzi-la, alguma coisa estranha e maravilhosa acontece. Enquanto a atração dela pelo sisudo duque começa a se revelar irresistível, Wulfric descobre que, ao contrário do que sempre pensou, pode ser capaz de deixar o coração ditar o rumo de sua vida.
Em Ligeiramente Perigosos, o sexto e último livro da série Os Bedwyns, Mary Balogh conclui a saga desta encantadora família em uma trama repleta de cenas sensuais, tiradas espirituosas e personagens à frente de seu tempo. Ao unir um homem e uma mulher tão diferentes, ela mostra que o resultado só poderia ser um par perfeito.

Olá pessoal, tudo bom com vocês? Hoje venho com a resenha do sexto e último livro da série “Os Bedwins”: Ligeiramente Perigosos. Esperei por esse livro desde o primeiro exemplar da série, quando Wulfric fez sua primeira aparição com seu monóculo e a leitura não podia ter me encantado mais! Vem que conto um pouquinho para vocês sobre esse livro.


Como já dito, o último livro da série vai nos trazer a história do irmão mais velho dos Bedwins, o Wulfric. Já o começamos vendo uma faceta do personagem que só foi mostrada no quarto livro da série. O mesmo está todo sentimental e se sentindo sozinho, já que após a perda da avó e o casamento de todos os irmãos, ele acabou só na propriedade da família.

O duque de Bewcastle, absolutamente solitário em seu poder, em seu esplendor, na magnífica mansão londrina que o cercava, continuou a encarar o nada enquanto tramborilava com os dedos no queixo.

E é por se sentir sozinho que o Duque de Bewcastle acaba aceitando participar de um evento que não combina em nada com ele. Nesse evento ele acaba conhecendo Christine, uma mulher que parece atrair situações embaraçosas, totalmente o oposto do homem reservado e contido que o mesmo é.

De algum modo, aquilo parecia inevitável, pensou Wulfric com um suspiro sofrido – sentindo a dor no nariz e os olhos lacrimejando. Algum anjo mau devia ter mandado aquela mulher para aquela temporada festiva só para atormentá-lo – ou para lembra-lo de nunca mais tomar uma decisão impulsiva.

Mas como aquela velha máxima de que os opostos se atraem não falha, Wulfric vai se ver cada vez mais envolvido com a moça, ajudando-a nas situações mais embaraçosas e ficando cada vez mais encantado com ela. O problema? Parece que esse sentimento não é recíproco.

_ Acho que devemos manter distância e rir dele de longe caso o sujeito se revele tão pretensioso e arrogante quanto diz sua fama – retrucou Christine – Não admiro nobreza carente de conteúdo.

Christine, além de ter certo preconceito em relação ao Duque, não quer ter nenhuma relação com um nobre, já que passou por algo semelhante no passado que a deixou infeliz.

É junto a esses personagens orgulhosos e preconceituosos um com o outro que vamos vendo o desenrolar de um romance maravilhoso, que encanta, envolve e faz com que o leitor se apaixone de vez pela série de Mary Balogh.



O “frio”, “sem sentimentos” e “intransigente” Wulfric nos mostra nesse livro que ele tem sim um coração e que há um personagem encantador por trás da fachada construída pelo mesmo. Confesso a vocês que Wulf sempre me intrigou e eu sabia que podia esperar uma história maravilhosa por trás dele e saibam que não estava errada. Me apaixonei ainda mais pela série, pelo Duque e finalmente pude conhecer um pouco mais sobre ele, sobre suas escolhas e claro, sobre o peso que o título teve em sua formação e vida. Além de toda história por trás do mesmo, sabe com quem ele se parece? Com Mister Darcy, de Orgulho e Preconceito! Agora me digam, como não se apaixonar por um personagem assim?

Christine não fica atrás e, com alguns traços de Elizabeth Bennet e particularidades suas, a personagem nos conquista com sua maneira irreverente e com a vivacidade que emana. É uma daquelas personagens de quem desejamos ser amigas sabe? Em seu passado, a mesma foi casada com um nobre e, devido a seus modos que atraiam desastres e atitudes escandalosas, a mesma teve um fim de casamento infeliz e por isso não quer ter nenhuma relação com nobres como Wulfric, que mesmo sem conhecer, acredita que apagaria a vivacidade e a luz de qualquer pessoa.

Os dois juntos são um lacre só. A cada nova cena, um novo suspiro, risada ou frustração, daquelas que você tem vontade de socar os dois para que vejam o que está na cara para nós leitores. Isso é ruim? Nem um pouco! Fortes emoções em romances de época são maravilhosas! Rs

Além dos personagens e de um romance de tirar o fôlego, ainda temos a participação dos Bedwyns, com seus narizes em pé, mas, com todo seu encantamento e ideologias de que o que realmente importa é o amor e nenhuma convenção social está acima disso.

As cenas dos mesmos rendem boas risadas e isso só fez com que eu sentisse mais saudades de toda essa série ao ler a última página desse livro.

Recomendo esse livro e toda série, na verdade, com a certeza de estar indicando a vocês histórias únicas, super bem escritas e que vão ficar no coração, com todos os seus enredos, personagens e romances incríveis. Mary Balogh ganhou um lugar muito especial em meu coração e, com este último livro, acabou ganhando o título de uma das minhas autoras favoritas de romance de época. Vale muito a pena conferir!

Bem pessoal, é isso! Espero que tenham gostado da resenha e que não deixem de comentar. Beijos e até o próximo post!


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Resenha #125: Entre a culpa e o desejo

Título: Entre a culpa e o desejo
AutorSarah Maclean
Editora: Gutemberg
Nº de Páginas: 304


Seu próximo experimento científico? Entregar-se a um canalha!
Lady Philippa Marbury não é como as jovens de sua época. A brilhante filha do marquês de Needham e Dolby se preocupa mais com seus livros e experimentos do que com vestidos e bailes. Para ela, um laboratório é muito mais atraente que uma proposta de casamento, e é por isso que, ao ser prometida a um noivo com quem não tem nada em comum, Pippa tem apenas duas semanas para empreender seu último experimento: descobrir todos os prazeres e todas as delícias da vida antes de passar o resto de seus dias ao lado de alguém que ela mal conhece.
Como boa cientista que é, Pippa investiga a vida do homem que parece ser a cobaia ideal para realizar suas experiências: Sr. Cross, o atraente sócio do cassino mais famoso e cobiçado de Londres, um libertino cuja má-fama foi cuidadosamente construída sobre o vício e a devassidão. Um canalha perfeito para explorar suas fantasias e satisfazer sua curiosidade sem manchar sua reputação de moça de família.Mas o que Pippa não sabe é que, por baixo das aparências, Cross esconde segredos obscuros e que, ao receber a proposta da garota, ele está diante de uma oferta que pode destruir tudo aquilo que durante anos ele se esforçou para proteger.Terrivelmente tentado a se envolver nessa aventura que promete o mais puro prazer sem qualquer outra emoção, tudo o que Cross deseja é dar a Pippa exatamente o que ela quer, mas ele sabe que ninguém sai ileso do caminho da satisfação e, assim, Cross terá de usar cada miligrama de sua força de vontade para não perder o controle e resistir à tentação de entregar à jovem muito mais do que ela ousa imaginar.

Olá pessoal, tudo bom com vocês? Ultimamente tenho me apaixonado cada vez mais pelos livros da Sarah Maclean e claro, tinha que compartilhar esse amor com vocês. Hoje vou falar um pouquinho sobre o livro Entre a culpa e o desejo, segundo livro da série O clube dos canalhas, então vem comigo que esse livro é só amor.


Lady Philippa Marbury é uma mulher a frente de seu tempo. Ela é apaixonada por ciência e prefere mil vezes estar em seu laboratório que em um salão de baile. Pippa, como prefere ser chamada, acredita em fatos e experimentos e é por isso que, duas semanas antes de se casar ela procura Cross, um dos libertinos do Anjo caído, uma das maiores casas de jogos de Londres. Pipa quer que Cross a desonre, para que possa concluir sua pesquisa, imaginando que ele seria a pessoa perfeita para lhe ensinar sobre prazer e sedução. Ela surpreende o sócio de seu cunhado com sua proposta, que nega na hora, não imaginando o quão persuasiva Pippa pode ser.

O que ela não sabe é que Cross esconde um segredo do passado e sua oferta pode destruir tudo aquilo que ele se esforçou para manter e proteger.

Em meio a força de vontade de Cross para conseguir resistir a Pippa e os planos da mesma para que sua curiosidade seja desfeita, vemos o desenrolar de uma encantadora, deliciosa e divertida história de amor.


Sabe aquele tipo de livro que te ganha e te envolve do início ao fim? Aquele tipo de leitura que te faz suspirar, rir, se sentir apreensivo e encantando? Bem, este definitivamente é um desses livros.

Pippa, como vocês puderam ver, é uma dessas personagens BEEM a frente de sua época. Sua paixão por ciência e experimentos dão pano para manga, levando-a até Cross, que fica boquiaberto com sua proposta. Ela quer conhecer a mecânica das relações sexuais, por assim dizer, e começa fazendo-o através de perguntas que deixam Cross sem reação e subindo pelas paredes. Esta é espirituosa, engraçada, extremamente inteligente e doce. É uma daquelas personagens que temos vontade de guardar num potinho, sabe?

E Cross, bem, ele é um daqueles personagens que parece uma coisa, mas é outra. E essa outra coisa é que conquista o leitor e faz com que torçamos para que ele enfim se acerte com a Pippa e forme o casal mais atípico dos romances de época que você respeita. Ele também é um personagem extremamente inteligente, mas marcado por seu passado. O mesmo carrega um segredo e uma culpa que o impede de viver plenamente e é esta culpa que quase põe tudo a perder.

Quanto aos dois como casal, bem, a química é enorme! Eles nos rendem diálogos espirituosos e eloquentes que vão nos conquistando até que estejamos apaixonado pelo casal. As cenas de discussão, de cuidado, de carinho e de ensinamentos (cofcof) vão nos brindando com emoções diferentes, até que acabamos o livro e temos vontade de abraça-lo, de tão maravilhoso que é.

As únicas ressalvas que tenho a fazer é  a respeito da capa, que não gosto e a ausência de travessão indicando a fala dos personagens. No livro foram usadas aspas e eu estranhei um pouco até me acostumar. Ainda que tal fato tenha sido estranho em um primeiro momento, em nada impediu que aproveitasse a história e me envolvesse por ela.

A verdade é que Sarah Maclean me ganhou novamente com sua escrita divertida, envolvente e encantadora e só me resta deixar a indicação de mais um romance de época maravilhoso para vocês e não me estende muito mais com os inúmeros elogios que poderia fazer a essa obra.

Espero que tenham gostado da resenha de hoje. Não deixem de comentar, ok? Beijos e até o próximo post!


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Resenha #124: O sol também é uma estrela

Título: O sol também é uma estrela
Autor: Nicola Yoon
Editora: Arqueiro
Nº de Páginas: 288


Natasha: Sou uma garota que acredita na ciência e nos fatos. Não acredito na sorte. Nem no destino. Muito menos em sonhos que nunca se tornarão realidade. Não sou o tipo de garota que se apaixona perdidamente por um garoto bonito que encontra numa rua movimentada de Nova York. Não quando minha família está a 12 horas de ser deportada para a Jamaica. Apaixonar-me por ele não pode ser a minha história.
Daniel: Sou um bom filho e um bom aluno. Sempre estive à altura das grandes expectativas dos meus pais. Nunca me permiti ser o poeta. Nem o sonhador. Mas, quando a vi, esqueci de tudo isso. Há alguma coisa em Natasha que me faz pensar que o destino tem algo extraordinário reservado para nós dois.
O Universo: Cada momento de nossas vidas nos trouxe a este instante único. Há um milhão de futuros diante de nós. Qual deles se tornará realidade?
Olá pessoal, tudo bom com vocês? Hoje é dia de resenha e vou falar sobre um lançamento do mês de maio da Editora Arqueiro que é “O sol também é uma estrela”, da autora Nicola Yoon! Confesso de antemão que o que chamou minha atenção foi essa capa (quem nunca?) . Felizmente, o conteúdo me surpreendeu e me fisgou em cheio, então vem saber um pouco mais sobre essa história.



Mas aqui vai uma coisa verdadeira: quase tudo no céu noturno emite luz. Mesmo que não possamos ver, a luz está lá. 

O livro começa nos apresentando a história de Natasha, uma Jamaicana de 17 anos que foi para os Estados Unidos com a família quando tinha oito anos de idade. Seu pai tinha o sonho de ser um ator famoso e, para realiza-lo, leva toda a família para viver seu sonho. Entretanto, os anos vão se passando, a grande chance do pai de Natasha nunca aparece.

Em um certo dia ele comete um erro e acaba, inclusive. contando para a polícia que toda sua família vive ilegalmente no país e, por consequência disto, estes vão ser deportados.

Hoje é minha última chance de tentar convencer alguém – ou o destino – a me ajudar a descobrir um modo de ficar nos Estados Unidos.
Só para esclarecer: não acredito em destino. Mas estou desesperada. 

A partir daí, acompanharemos Natasha no seu possível último dia nos Estados Unidos, onde está tentando fazer a última apelação para não ter de voltar à Jamaica.

É neste dia que ela acaba conhecendo Daniel, filho de coreanos, nascido nos Estados unidos, que tem todo seu futuro planejado por seus pais. Seu sonho? Ser poeta. O que os pais esperam? Que seja o estereótipo de coreano perfeito, inteligente, gentil, que se torne médico e entre nas melhores universidades do país. No dia em que conhece a garota, Daniel está com uma entrevista marcada para tentar uma vaga na faculdade de medicina de Yale, a "segunda melhor universidade".


As pessoas repetem essas coisas para que o mundo faça sentido. Secretamente, no fundo do coração, quase todo mundo acredita que existe algum sentido, alguma objetividade na vida. Justiça. Coisas boas acontecem com pessoas boas. Coisas ruins acontecem com pessoas ruins. Ninguém acredita que a vida é aleatória. Meu pai diz que não sabe de onde vem meu ceticismo; mas não sou cética. Sou realista. É melhor ver a vida como ela é, e não como a gente quer que seja. As coisas não acontecem por algum motivo. Elas simplesmente acontecem.

Natasha é cética, pragmática e prática e Daniel é romântico, gentil e sonhador. O encontro dos dois não é amor à primeira vista. É o encontro de dois seres totalmente opostos sendo unidos pelas circunstâncias. A diferença entre os dois e os diálogos super bem desenvolvidos são um ponto alto do livro e estes só são possíveis pelas características que cada um dos personagens desenvolveram ao longo da vida e através das experiências pelas quais passaram e que estão passando. Estes evoluem muito ao longo da trama e nós acompanhamos essas pequenas mudanças se tornarem grandes através de capítulos curtos, muito bem escritos e com a dose certa de humor e emoção.

Além dos pontos de vista citados acima, temos ainda a narrativa do Universo. Não, você não está lendo errado! O Universo tem sua própria voz nessa obra e esse é seu maior diferencial. Aqui não temos só a história romântica dos personagens, vai muito além disso. Neste livro temos a história de cada uma das pessoas tocadas ao longo do dia, através das circunstâncias. Temos a história das pessoas pertencentes ao pano de fundo do enredo, mas, que de alguma maneira são mudadas ou mudam o rumo de todos os acontecimentos.

Além do romance, o livro abrange muitas outras perspectivas e temas. Começamos com a representatividade através de uma personagem principal negra. Pode parecer pouco para alguns, mas, esta é uma pequena mudança que faz diferença. O livro também trata sobre estereótipos, sexismo, sobre preconceito, que fica bem claro quando a personagem vai a uma loja com o Daniel e lhe oferecem um produto para alisar seu cabelo afro volumoso.

Pelo jeito, apenas certos estilos de cabelo são permitidos em reuniões de diretoria. Até minha mãe é culpada desse tipo de sentimento. Ela não ficou feliz quando decidi usar o cabelo afro, dizendo que não parecia uma coisa profissional. Mas gosto do meu afro grandão. Também gostava quando meu cabelo era comprido e relaxado. Fico feliz em ter opções. Elas são minhas.

Temos também a questão da deportação de Natasha, que não é considerada americana o suficiente para ficar nos Estados Unidos, sendo que a única cultura que realmente conhece, com a qual se identifica e que possui referências é a do país e não se considera jamaicana o suficiente para voltar para seu país, já que desconhece a cultura do local e não possui ali nenhuma ligação que lhe faça ter vontade de voltar.

Apesar de ter tido um pouco de dificuldade para pegar ritmo no início da leitura (por não estar habituada com o estilo de narrativa), é um livro delicado, extremamente bem escrito, envolvente, emocionante, fluido e que nos trás questões e questionamentos importantes, nos faz refletir e claro, nos perceber e dar mais atenção aos que estão a nossa volta e as pessoas que tocamos ao longo do dia.

Fica a recomendação deste livro e minha vontade de ler mais obras da autora! Não deixem de comentar ok? Beijos e até o próximo post!


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Resenha #123: O garoto dos olhos azuis

Título: O garoto dos olhos azuis
AutorRaiza Varella
Editora: Pandorga
Nº de Páginas: 375


O príncipe encantado existe? Bárbara é linda, loira e bem-sucedida. Desde que assistiu a uma cerimônia de casamento pela primeira vez, ainda criança, seu sonho é apenas um: percorrer o tapete vermelho da igreja, vestida de noiva. Porém, contrariando todas as suas expectativas, ao ser abandonada no altar, a vida de Bárbara desmorona. Ela decide voltar à cidade natal e passa a viver com os irmãos e mais dois amigos. Todos homens. Com a ajuda de Vivian, uma espécie de Barbie Malibu, Bárbara tenta superar sua decepção amorosa recente e uma da adolescência, que volta com tudo à sua memória: o garoto dos olhos azuis. Será que o cavalo branco só passa uma vez? É isso que Bárbara vai descobrir com bom humor, jogo de cintura e uma pitada de neurose, em O Garoto dos Olhos Azuis, romance de estreia de Raiza Varella.

Olá pessoal, tudo bom com vocês? Esse ano tenho lido um número maior de livros nacionais, como podem ter percebido, e estes têm sido gratas surpresas. O livro da vez é O garoto dos olhos azuis, escrito por Raiza Varella. Este me ganhou pela capa e me encantou totalmente com seu conteúdo. Vamos saber um pouco mais sobre ele?


Você acredita em contos de fadas? Acredita que podem ser reais?

Bárbara Bittencour tem um sonho desde que foi ao primeiro casamento de sua vida, ainda na infância: ela sonha em se casar com o amor de sua vida. Sonha em encontrar alguém que olhasse para ela como aquele primeiro noivo olhou para sua noiva.

O rapaz esfregava as mãos uma na outra, apreensivo, e parecia estar travando uma luta consigo mesmo para não sair do lugar. Mas, assim que seus olhos encontraram a moça de branco no final do corredor, eles marejaram, e sua postura relaxou. Sem que ninguém notasse, ele usou o dedo indicador para enxugar uma lágrima que teimou em escapar e estava quase escorrendo por seu rosto. Ele não precisava ter se dado ao trabalho, pois ninguém estava prestando atenção à sua emoção.
Exceto eu.
Quando a moça de branco chegou à metade do caminho que os separava e finalmente o olhou, ele sorriu. Eu não sei como, mas tive certeza de que aquele era o maior e mais bonito que ele tinha aberto na vida. Ele, o rapaz, me fez entender tudo. Ele a amava, e eu queria exatamente a mesma coisa para minha vida um dia.

Começamos a conhecer sua história quando ela está prestes a ter o seu momento. Ela entra na igreja, vê o noivo no altar e nada sai como o esperado. Após a maior desilusão e traição de sua vida, ela sai em disparada da igreja, disposta a fugir de tudo aquilo.

Você já teve um grande sonho? Um que você imaginou nos mínimos detalhes por uma vida inteira? Com certeza não era daquele jeito que eu tinha imaginado o meu.

Ela precisa recomeçar, deixar tudo o que passou e sentiu para trás, mas recomeços nunca são fáceis, ainda mais quando se convive com tudo aquilo que te machucou.

Bárbara abandona São Paulo, volta para Florianópolis e passa a viver com seus irmãos no apartamento em que estes moram e que dividem com alguns amigos. A intenção é se manter perto da família para se reestruturar. O que ela não esperava era o dono do apartamento em que os irmãos viviam: Ian! Ela não imaginava que o mesmo fosse tão sistemático, envolvente e dono de um par de olhos azuis maravilhosos.

Ian também não esperava uma hóspede que quebrasse suas regras e o enlouquecesse com suas trapalhadas e confusões. Nem esperava que a mesma pessoa que roubava seu sorvete de café seria aquela que roubava cada vez mais seu coração.

Em meio a confusões de nossos personagens, novas amizades e um romance lindo, daqueles que arranca suspiros, Raiza nos apresenta um conto de fadas moderno, onde nos mostra que finais felizes acontecem mesmo em uma realidade sem cavalos brancos, princesas ou bruxas. Pensando bem... acho que temos sim umas bruxas nessa história, ainda que sem magia. Rs 



Quando baixei esse livro na Amazon, confesso que não havia dado muito por ele. Achava a capa linda e pronto, decidi que iria lê-lo algum dia. Viajei, levei apenas um livro físico e o kindle.  Como já era de se esperar, fiquei sem leitura logo no fim do primeiro dia e me joguei de cabeça no livro de Raiza. Resultado? Simplesmente amei essa leitura! Amei tanto que na primeira oportunidade comprei o livro físico por precisar tê-lo em minha estante!

Agora sem mais enrolação, vamos às minhas considerações! rs

O primeiro ponto a se ressaltar é a escrita de Raiza Varella que é simplesmente sensacional, sendo extremamente fluida, envolvente e cativante.

Fui fisgada por sua história logo nas primeiras linhas e simplesmente não consegui largar o livro antes do fim! Com um enredo bem trabalhado e com personagens beirando ao real, Raiza redefiniu o significado da expressão “um tiro atrás do outro”.

Ao mesmo tempo em que surgem cenas românticas fofos, temos cenas de amizade, de peripécia e até mesmo tensas, onde ficamos apreensivos para ver que fim tudo aquilo vai tomar.

Bárbara é daquelas protagonistas gente como a gente, sabe? Ela erra tentando acertar, acerta tentando errar e se mostra forte em situações em que muitas pessoas desabariam. Se ela fosse uma pessoa real, era facilmente alguém de quem amaria ser amiga.

O Ian, bem, este dispensa comentários. Em meio as farpas e cenas carinhosas com Bárbara vamos conhecendo um rapaz inteligente, companheiro, bondoso, sincero e disposto a lutar contra tudo por aquilo que ama.  É daqueles personagens que valoriza tudo o que conquistou e ainda assim não perde a humildade? Amo personagens assim! Inclusive poderia passar muito tempo falando dele, mas vou deixar que o conheçam através do livro.

A forma como o relacionamento dos dois começa é linda! Também não posso falar sobre isso para não dar spoilers, mas, aviso de antemão que a química do casal é palpável e inegável. Me vi torcendo pelos dois quando eles sequer haviam começado algo e continuei assim por todo o livro. O relacionamento repleto de companheirismo, conquista e cativa, sendo praticamente impossível não se apegar a eles.

Não podia deixar de falar da importância dos personagens secundários nesse livro. Eles nos arrancar risadas, nos divertem e mostram a importância da família e dos amigos de verdade. Como não amar?

Só me resta dizer que mal posso esperar para ler o segundo livro e conhecer o próximo conto de fadas moderno. Como faz com a ansiedade e com a falta de dinheiro para comprar o próximo livro? rs Só para esclarecer, este livro tem inicio, meio e fim. O próximo conto de fadas envolve um dos personagens dessa história, mas não é uma espécie de continuação desse primeiro romance.

Enfim! Fica aqui minha recomendação de hoje, com a certeza de que estou indicando um nacional maravilhoso para vocês. Deixem-se conquistar pelo conto de fadas moderno de Bárbara e pela escrita maravilhosa de Raiza!


Espero que tenham gostado da resenha e que não deixem de comentar! Beijos e até o próximo post!


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Resenha #122: Quando a Bela domou a Fera

Título: Quando a Bela domou a Fera
AutorEloísa James
Editora: Arqueiro
Nº de Páginas: 320


Eleito um dos dez melhores romances de 2011 pelo Library Journal, "Quando a Bela domou a Fera" é uma releitura de um dos contos de fadas mais adorados de todos os tempos.
Piers Yelverton, o conde de Marchant, vive em um castelo no País de Gales, onde seu temperamento irascível acaba ferindo todos os que cruzam seu caminho. Além disso, segundo as más línguas, o defeito que ele tem na perna o deixou imune aos encantos de qualquer mulher.
Mas Linnet não é qualquer mulher. É uma das moças mais adoráveis que já circularam pelos salões de Londres. Seu charme e sua inteligência já fizeram com que até mesmo um príncipe caísse a seus pés. Após ver seu nome envolvido em um escândalo da realeza, ela definitivamente precisa de um marido e, ao conhecer Piers, prevê que ele se apaixonará perdidamente em apenas duas semanas.
No entanto, Linnet não faz ideia do perigo que seu coração corre. Afinal, o homem a quem ela o está entregando talvez nunca seja capaz de corresponder a seus sentimentos. Que preço ela estará disposta a pagar para domar o coração frio e selvagem do conde? E Piers, por sua vez, será capaz de abrir mão de suas convicções mais profundas pela mulher mais maravilhosa que já conheceu?

Olá pessoal, tudo bom com vocês? Hoje é dia de resenha de romance de época e o livro da vez é Quando a Bela domou a Fera, da autora Eloísa James. O livro foi lançamento de março pela Editora Arqueiro e traz vários elementos novos nesse gênero que tanto amamos. Bora saber um pouco mais sobre ele?


 O livro nos conta a história de Linnet, uma bela mulher que chama a atenção por onde passa e que vive a sombra da imagem de sua mãe, vez que a mulher possuía uma reputação duvidosa perante a sociedade inglesa.

Com a reputação de sua genitora recaindo sobre si, um vestido de baile errado e um beijo flagrado no príncipe, Linnet vê sua reputação cair por terra, perdendo as esperanças de fazer um bom casamento com um nobre.

Qual seria a solução? Casá-la com o único conde que não se importaria com sua reputação nem com as más línguas inglesas. Quem seria este? Piers Yelvertonb, conde de Marchant, um homem sarcástico, de temperamento difícil e que possui o apelido de Fera junto à sociedade.

O que havia de belo em seu pai era bruto nele; seus olhos eram azuis, mas gelados, como um inverno rigoroso. Ele não parecia civilizado. Ninguém colocaria aquele rosto em uma moeda, romana ou qualquer outra. Ele parecia muito grosseiro... muito... muito feroz, percebeu ela de repente.

Este é um médico brilhante e não possui qualquer traquejo social. Pierre não pretende se casar com a moça já que o arranjo fora feito por seu pai, com quem não se dá bem.

_ Ah, mas eu acho que somos perfeitos um para o outro – disse ela, só para cutuca-lo.
_ Um médico totalmente maluco – esse sou eu – e uma beldade terrivelmente conveniente – essa é você –, mancando juntos rumo a uma vida de felicidade? Duvido muito. Você tem lido contos de fadas demais.

A junção de duas pessoas inteligentes e de personalidade forte, com objetivos diferentes e com uma química incrível nos rende uma deliciosa história de amor, onde nossos personagens testarão seus limites e sentimentos para que finalmente encontrem seus finais felizes.


Acho que deu para vocês perceberem por minhas resenhas aqui no blog o quanto gosto de romances de época e quantos deles já li, certo? Com isso em mente, acreditem em mim quando digo que este livro possui vários elementos distintos do que costumamos encontrar, quer ver só?

O personagem Pierre é um conde que não vive para frequentar salões de baile e ser libertino. Ele é um médico brilhante, manco e extremamente franco e mal humorado. Identificaram em qual personagem ele foi inspirado? Não? Conto para vocês: Doutor House!

Você não está lendo errado! Temos aqui um personagem de romance de época inspirado no House, com suas peculiaridades e genialidade. Ver um personagem como este em um romance de época é algo que sequer havia imaginado!

Agora, além disso, acrescente elementos de A Bela e a Fera (meu conto de fadas favorito) e um cenário que foge dos salões de baile e migra para um castelo em Gales que foi transformado em hospital.

Este é o pano de fundo de nossa história e cá entre nós? Rendeu um enredo maravilhoso!
Os personagens também nos ganham. Linnet é uma mocinha cheia de personalidade e de vontades, que não mede esforços para conseguir o que quer. Ela sabe se valer de sua beleza muitas vezes para tal intento.
Pierre é um homem cético, desconfiado, genial e que esconde um trauma do passado.

A união desses dois personagens em meio a farpas, confidências e superação de seus demônios pessoais conquistam o leitor. Ver os dois lidando com as marcas dos erros dos pais e tentando encontrar uma maneira de perdoá-los é maravilhoso de se ler. Os capítulos finais da história dos dois são incríveis!

Quanto a narrativa da autora, tive um pouco de dificuldade para entrar no ritmo de sua história nos primeiros capítulos, acredito eu por não conseguir imaginar bem alguém como o House inserido em um romance de época. A medida que a história foi tomando forma, acabei mergulhando na mesma e só a larguei quando terminei. Espero poder ler mais obras da autora em breve para tirar a prova dos nove: se foi a adaptação com o personagem que fez com que a leitura não fluísse tão bem no início ou a falta de costume com a narrativa da mesma.

Este é um romance de época com novos elementos, com um enredo delicioso de se ler, com personagens incríveis, sarcásticos, inteligentes e envolventes, que vão te ganhar a cada virar de página. Fica aqui minha recomendação, com a certeza de estar indicando uma história que a Julia Quinn também indica! Rs

Falando em Julia Quinn, quem leu o livro Um beijo inesquecível, vai identificar um certo livro que a personagem do romance de Eloísa estava lendo. Só acho que se ele está famoso entre nossas personagens literárias favoritas, devia ser escrito para que nós leitoras pudéssemos conhecer também! rs

Espero que tenham gostado da resenha e que não deixem de comentar ok? Beijos e até o próximo post!


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Resenha #121: Memórias de uma Gueixa

Título: Memórias de uma Gueixa
AutorArthur Golden
Editora: Arqueiro
Nº de Páginas: 448


Olhos cinza-azulados. Muita água em sua personalidade, é o que diz a tradição japonesa. A água que sempre encontra fendas onde se infiltrar, cujo destino não pode ser detido. Assim é Sayuri, uma das gueixas mais famosas de Gion, o principal distrito dessa arte milenar em Kioto. Com um olhar, ela é capaz de seduzir. Com uma dança, ela deixa os homens a seus pés. O que ninguém sabe é que, por trás da gueixa de sucesso, há um passado de perdas e desilusões de uma mulher que, desde o dia em que o pai a vendeu como escrava, fez cada uma de suas escolhas motivada pelo amor ao único homem que lhe estendeu a mão. Neste livro acompanhamos sua transformação enquanto ela deixa para trás a infância no vilarejo pobre e aprende a rigorosa arte de ser uma gueixa: dança e música, quimonos e maquiagens; como servir o chá de modo a revelar apenas um vislumbre da parte interna do pulso; como sobreviver num mundo onde o que conta são as aparências, onde a virgindade de uma menina é leiloada, onde o amor é considerado uma ilusão. Já idosa, vivendo nos Estados Unidos, ela narra suas memórias com a sabedoria de quem teve uma vida longa e o lirismo de quem soube encontrar nela seu lado mais doce. Neste relato único, que reúne romance, erotismo e, muitas vezes, a dura realidade, Arthur Golden desenvolve uma escrita refinada e dá voz a uma personagem instigante e humana que conquistou milhões de leitores em todo o mundo.

Olá pessoal, tudo bom com vocês? O post de hoje é sobre o livro Memórias de uma Gueixa, do autor Arthur Golden e foi um daqueles livros que chamou a atenção pela capa, confesso! Sem mais enrolação, vem comigo que vou te falar um pouquinho sobre minha experiência de leitura!


Este é um romance fascinante que nos apresenta a Sayuri, uma gueixa famosa em seu tempo e que agora conta a sua história a um pesquisador que se tornou seu amigo.

Sua narrativa tem início em uma vila de pescadores, em 1929, onde a menina de nove anos, nascida como Chiyo, é tirada de casa e vendida como escrava para uma okiya em Gion, um distrito de Kioto.  Pouco a pouco, vamos acompanhando sua vida na okiya Niita, passando por diversos infortúnios até seu treinamento definitivo para se tornar uma gueixa.

Em meio a lições de maquiagem, vestuário e dança, acompanhamos diversos pontos da cultura oriental e um pano de fundo que se estende por marcos históricos como a segunda guerra, nos envolvendo e fazendo com que esta história fique em nossa mente.

Voltei àquelas sepulturas pouco depois e, parada ali, descobri que a tristeza era uma coisa muito pesada. Meu corpo pesava o dobro que no momento anterior, como se aquelas tumbas me puxassem para baixo, para junto delas. f.14


Resolvi não me estender muito no resumo sobre a obra já que a sinopse já traz tantos elementos sobre a mesma, não restando muito sobre o que falar que não seja spoiler rs.

Como o próprio título do livro já nos mostra, trata-se de um enredo narrado por Sayuri, uma ex gueixa que nos conta tudo o que viveu, em meio a costumes japoneses e acontecimentos de sua vida.

Enquanto ela nos brinda com sua história, nos mostra elementos da cultura oriental que a levaram por aquele caminho, que fizeram com que sua vida passasse pelos acontecimentos narrados.

Considerei este estilo de narrativa um ponto alto da obra, uma vez que conhecemos a personagem profundamente, nos sentindo cada vez mais próximos dela quando a história vai tomando forma com as descrições minuciosas sobre lugares, costumes e crenças. O autor soube desenvolver tão bem este enredo que algumas vezes era como se pudesse ver local onde se passava o trecho do livro e isto é simplesmente fantástico.

Outro ponto positivo foram essas explicações sobre a cultura japonesa, da qual não sei praticamente nada. Eu sequer sabia ao certo o que eram as gueixas e confesso que conhecer um pouco mais sobre sua história e a forma como elas marcaram sua cultura me deixou fascinada. O autor explica cada expressão, cada detalhe da cultura oriental citada no livro, o que para alguns pode ser tornar algo maçante, mas, para mim, foi simplesmente incrível! Conhecer tudo aquilo pelos olhos de Sayuri só deixou tudo mais delicado e interessante.

Devo lhe dizer algo sobre o pescoço no Japão, se ainda não sabe: é que em geral os homens japoneses sentem a respeito do pescoço e da garganta de uma mulher o mesmo que os homens no ocidente podem sentir com relação às pernas. É por isso que as gueixas usam as golas de seus quimonos tão abertas atrás que se veem as primeiras vértebras de sua espinha; suponho que é como uma mulher em Paris usando saia bem curta. f.71

Em relação ao enredo, o mesmo flui muito bem, ainda que com as descrições citadas acima, nos proporcionando uma leitura marcante e emocionante, repleta de personagens distintos e bem desenvolvidos que, no geral, são fundamentais para o desfecho, sendo eles principais ou secundários.

Falando em desfecho, o mesmo me decepcionou um pouco. Não por falta de coerência, longe disso, mas, por minhas expectativas e torcidas não serem supridas. Não posso explicar em qual aspecto isso aconteceu sem dar spoilers, mas, acho que muitas pessoas concordariam comigo.

Vale ressaltar ainda a visão de como estava o Japão e sua população na segunda guerra. Foi uma visão diferente de tudo que havia lido sobre esse período e confesso que gostei muito dessa nova perspectiva.

Recomendo esta obra a qualquer um que goste de romance histórico e que curta ou tenha curiosidade em conhecer sobre a cultura japonesa, principalmente relacionada as gueixas.

É isso pessoal! Espero que gostem e que não deixem de comentar! Beijos e até o próximo post.


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